“Experiência de vida faz muita diferença no trabalho”, diz Mórris Litvak

Mais de 82 mil brasileiros já se cadastraram na MaturiJobs, plataforma com oportunidades de trabalho para pessoas com mais de 50 anos. Desde 2015, quando o canal foi lançado, 850 profissionais foram realocadas. É fácil perceber que tem muita gente para pouca vaga. Para Mórris Litvak, CEO e fundador da MaturiJobs, o grande problema é o preconceito contra as pessoas maduras.

Quais são as maiores barreiras para a contratação do profissional sênior?
O preconceito etário ainda é forte no mercado de trabalho brasileiro. As empresas imaginam que pessoas com mais de 50 anos são caras, desatualizadas, sem agilidade e sem conhecimento de tecnologia. Se as empresas estivessem abertas a contratar esse público, descobriria que esses mitos não são reais.

Quem se cadastra na Maturijobs em busca de trabalho?
A maioria tem de 50 a 60 anos. Cerca de 70% possuem curso superior completo e 20% fizeram pós-graduação e dominam inglês. Muitos tinham emprego em nível de gerência quando foram demitidos por causa da crise econômica. Eles estão desesperados, porque precisam de uma fonte de renda. Somente 30% dos cadastrados estão aposentados.

Quais são os pontos altos dos profissionais sêniores?
Experiência de vida faz muita diferença. Os mais velhos são atenciosos e pacientes, por isso lidam melhor com o público do que os jovens. Eles são mais comprometidas com o trabalho. Faltam menos e mudam menos de emprego, em comparação com os jovens.

Quantas pessoas a Maturijobs já ajudou a recolocar no mercado?
Já ajudamos a recolocar 850 pessoas, o que representa 1% da nossa base. Não tem emprego pra todo mundo. Por isso, nosso foco é mostrar caminhos além da carteira assinada. Depois de 1 ano e meio procurando uma vaga, as pessoas
percebem que dificilmente terão emprego. Elas começam a se abrir para a possibilidade de empreender, dar consultoria ou trabalhar como autônomas.

Qual é a proporção de candidato-vaga na Maturijobs?
Varia de 40 a 300 candidatos por vaga, dependendo da ocupação. Para vagas muito tecnológicas, como desenvolvimento de sistemas, a disputa é menor. Quanto mais operacional, maior a concorrência.

Que conselhos você daria para quem não quer ser excluido do mercado de trabalho?
A partir dos 45 anos já começa a ficar difícil encontrar emprego. A principal dica é se atualizar sempre: sair de casa, conhecer pessoas, fazer networking, ir a eventos e investir no autoconhecimento para repensar a carreira e descobrir o que gosta de fazer. Hobbies podem virar fonte de renda.

Quem tem mais dificuldade de se reinventar profissionalmente?
Os homens tendem a se fechar e deprimir quando não têm mais um sobrenome corporativo. Já as mulheres se abrem para novas oportunidades e correm atrás do prejuízo, tanto que elas representam 70 a 80% dos inscritos nos nossos cursos.

As pessoas com deficiência começaram a ser inseridas no mercado de trabalho somente a partir da lei de cotas. Deveria haver uma lei de incentivo para a contratação do público sênior?
As empresas poderiam ter incentivos fiscais e flexibilidade para contratar essas pessoas por meio período, por exemplo. Já as cotas não são benéficas. As empresas contratam deficientes apenas para cumprir a lei e abandonam esses profissionais num canto.

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