Para Inspirar

Os parâmetros de longevidade no futebol

Quando um jogador de futebol é considerado “velho”? Como se dá essa aposentadoria? Em tempos de longevidade, o esporte segue bastante limitado

12 de Dezembro de 2022


Aqui no Plenae, falamos exaustivamente sobre longevidade, afinal, é o tema que nos fez nascer. Essa busca por voos mais longos, e claro, com mais qualidade, movimenta cientistas por todo o mundo há anos e tem se tornado o objetivo de muita gente. Até por isso, acredita-se que a pessoa que viverá 200 anos já nasceu.

Na contramão dessa tendência que é mundial, o esporte ainda é bastante duro quanto aos seus parâmetros de envelhecimento. Recentemente, quando o treinador Tite anunciou a escalação do time oficial que embarcaria para o Qatar, uma polêmica específica fez bastante barulho: a convocação do jogador Daniel Alves. Ele, que já foi personagem aqui no Podcast Plenae, é considerado “velho” para o futebol. Vale ressaltar que ele só tem 39 anos.

Mostra o RG pra mim

Primeiro, é importante dizer que tudo se dá mais cedo no esporte. Para atingir a excelência ainda jovem, auge da capacidade física, os esportistas costumam começar ainda criança. Na ginástica olímpica, por exemplo, há crianças de 6 anos já performando bem e aos 11, já profissionalizadas.

No futebol não é diferente. As chamadas peneiras, que são testes para se entrar em times, são repletas de meninos ainda muito jovens, em busca de realizarem o sonho de ser jogador de futebol. Segundo o blog Lei em Campo, a Lei Pelé estabelece que um clube só pode fazer um contrato profissional com um atleta maior de 16 anos. 

Esse vínculo não pode durar além de cinco temporadas. Antes disso, a partir dos 14, é possível fazer um contrato de formação, que a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) define como uma espécie de "contrato de aprendizagem", uma espécie de menor aprendiz para quem não trabalha com futebol.

Prova disso são os exemplos de Ronaldo e o próprio Pelé, o rei do futebol, que participaram (e ganharam!) títulos de Copa do Mundo antes mesmo de completarem 18 anos. O jogador Ângelo, do Santos, fez história em 2020 ao se tornar o segundo jogador mais novo a entrar em campo com outros profissionais, quando tinha somente 15 anos, 10 meses e 4 dias, segundo este artigo, perdendo somente para Coutinho, do mesmo time, mas que em 1958 entrou em campo com apenas 14 anos.
Apesar de ser prática comum, há leis assegurando esse menor, sobretudo no que diz respeito aos direitos de imagem. Como explicamos nesta matéria, a psicologia do esporte também é obrigatória para acompanhar os atletas da categoria de base, exigência do Estatuto da Criança e do Adolescente. 

Por fim, a Lei Pelé, que mencionamos acima e que permite brechas na lei para que menores de idade trabalhem como atletas, recebeu importantes atualizações recentes, mas o destaque vai para a igualdade de gênero. A partir de 2025, como explica o blog Lei em Campo, haverá paridade de investimento dos recursos públicos nas modalidades de prática esportiva entre as categorias feminina e masculina.

Tanto nessa copa quanto na passada, um grande destaque foi o atacante francês Mbappe, que na Rússia em 2018 tinha apenas 19 anos quando fez seu primeiro gol no torneio. Neste Mundial, o camisa 10 da França já marcou cinco gols - chegando a nove em Copas do Mundo - e bateu o recorde de um jogador com mais gols na competição antes dos 24 anos, que pertencia a Pelé, como conta o Terra.

Nas Olimpíadas, competição onde a seleção também entra em campo, a idade limite para que os jogadores possam atuar é bem baixa: O Comitê Olímpico Internacional (COI) oficializou a idade de 24 anos para atletas do futebol masculino nas Olimpíadas de Tóquio. 

O começo do fim

Da adolescência ou início da juventude, tudo vai de vento em popa. Até mesmo em caso de lesão, o corpo mais jovem tende a responder melhor a elas e aos tratamentos propostos. A partir dos 30 anos, o cenário já começa a mudar. As lesões já não são recuperadas mais com tanta facilidade, o fôlego já não é mais o mesmo e a despedida começa a se aproximar. 

A idade média que um jogador de futebol se aposenta é aos 35 anos, mas isso não é uma regra, e essa lista aqui pode provar. Nela, constam vários nomes brasileiros, inclusive, o “país do futebol” é também o país de atletas fortes e que chegam mais longe, seja por determinação, amor ou treino. O recorde, que era do inglês Stanley Matthews, foi quebrado pelo japonês Kazuyoshi Miura, que já defendeu alguns times brasileiros em sua carreira e, aos 53 anos, segue jogando.

Este artigo explica como se dá legalmente a aposentadoria de um jogador, já que as leis no Brasil exigem idade mínima de 65 anos para um homem, por exemplo, ou ao menos 30 anos de contribuição. Como essa regra é praticamente impossível de ser aplicada a um jogador, há brechas que garantem que eles ganhem seus benefícios fiscais a tempo, a maioria escoradas no esforço físico que gera lesões e desgastes neles. 

Mas, para além das brechas legais, a aposentadoria de um jogador pode ser emocionalmente difícil. Por mais que eles saibam, desde o início, que isso acontecerá, pode haver uma confusão, já que socialmente eles ainda são novos, principalmente em tempos de longevidade, mas para a profissão que eles tanto amam, já estão “ultrapassados”. 

Para eles, pode ser bastante importante e valioso nesse período ter um acompanhamento psicológico e buscar outros propósitos na vida. E para nós, evite etarismos quando o assunto é futebol. Dizer que fulano é velho, ou que ciclano está “passado”, pode ser bastante ofensivo e não contribui em nada para o tema. 

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Mitos e verdades sobre a surdez

O tema infelizmente ainda é cercado de tabus e mitos. Venha conhecer um pouco mais sobre a surdez!

9 de Dezembro de 2022


Chegamos ao final de mais um Podcast Plenae e, neste episódio, tivemos a participação da escritora Paula Pfeifer, que contou a história da sua perda progressiva da audição e também como foi o seu processo de “sair do armário da surdez”, como ela mesma definiu.

 

Há mais de 9 milhões de pessoas em todo o país que são surdas, segundo dados oficiais, e estudos mostram que 1 bilhão de jovens está sob risco de perda auditiva. Esse é um desafio para as autoridades no sentido de elaborar políticas públicas realmente eficientes, mas também para todos nós, enquanto população, pois é nosso papel agregá-los à comunidade sempre que possível.

 

Segundo o IBGE, 2,3 milhões de pessoas com algum grau de surdez no Brasil e 1,5 bilhão no mundo. Pensando nisso, resolvemos fazer um mitos e verdades sobre a surdez, com o objetivo de desmistificar essa deficiência que é tão comum e que pode se tornar ainda mais se não nos cuidarmos. 

 

Qualquer um pode ficar surdo?

 

Verdade! A surdez, é claro, pode ser de nascença, mas há ainda a surdez progressiva, como foi o caso da Paula, e alguns tipos de surdez que são ocasionadas por algum trauma, um acidente, doenças como meningite ou até infecções repetidas vezes. E há ainda surdezes que podem ser causadas por uso de antibióticos usados no tratamento de tuberculose, diuréticos e outras substâncias à base de ácido acetilsalicílico podem sim causar danos aos sistemas coclear e vestibular, que são muito importantes para a sua audição, como explica este artigo.

 

Só pessoas mais velhas são surdas

 

Mito. E o ponto anterior é prova disso: existem bebês que já nascem surdos, por exemplo. A perda de audição pode sim ser mais evidente na maturidade, por conta do envelhecimento das células auditivas, assim como a perda de outras funções, mas essa nem é a única causa da surdez e a própria surdez não é exclusividade da terceira idade. Aliás, a cada 200 crianças que nascem, três são surdas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

 

Existem surdos que ouvem?

 

Verdade. E Paula Pfeifer é um exemplo vivo desse fato. Isso porque esses deficientes auditivos contam com aparelhos auditivos, implantes cocleares e alguns podem até passar por um processo cirúrgico que tem como objetivo melhorar a capacidade auditiva da pessoa. Elas não deixam de ser surdas, só reduz o seu nível, e no caso dos implantes, ao tirá-los, ela volta a não ouvir. 

 

Todo surdo fala língua de sinais?

 

É falsa a afirmação, apesar da Linguagem de Sinais ser sim extremamente importante para grande parte da população surda - os chamados surdos sinalizados. Segundo o Censo mais recente, viviam em 2010 no Brasil 2,1 milhões de pessoas que escutavam muito pouco ou nada — o equivalente à população de Manaus. A pesquisa do IBGE não apontou quantas faziam uso da língua de sinais, como revela a Agência Senado

 

Apesar de não haver dados concretos sobre quantas pessoas se comunicam por meio dessa linguagem, fica claro o problema de inclusão quando vemos que aeroportos ou transportes públicos, por exemplo, não oferecem esse tipo de acessibilidade.  Em 2002, a Lei 10.436 deu à Libras o status de meio legal de comunicação e expressão. Desde então, escolas, faculdades, repartições do governo e empresas concessionárias de serviços públicos estão obrigadas a providenciar intérpretes para atender aos surdos.

 

Surdos podem ler lábios

 

Verdade! Assim como cegos tornam seus outros sentidos mais apurados, os surdos passam a ler lábios muitas vezes, e isso vai se aprimorando com o tempo. No caso de Paula, como sua surdez foi progressiva, ela passou a ler lábios ainda na adolescência, quando não sabia do seu diagnóstico, para poder estar mais incluída na roda de seus amigos. 

 

A língua de sinais é universal

 

Falso. Existem mais de 300 variantes da língua de sinais no mundo. Elas são responsáveis por boa parte da comunicação de surdos, que totalizam 466 milhões de pessoas, segundo artigo da Assembleia Legislativa de São Paulo. No Brasil, falamos a Língua Brasileira de Sinais - e perceba que o nome é “brasileira”, justamente porque em outros países, ela não é a mesma.

 

É normal um pouco de dificuldades para ouvir

 

Falso. E aqui, a própria Paula Pfeifer explica em seu blog, Crônicas da Surdez. “Quanto mais você esperar, mais difícil será tratar a sua perda auditiva. Isso acontece porque o sistema auditivo central no cérebro para de reconhecer os sons à medida em que a surdez piora. Se você usar aparelhos auditivos regularmente, seu cérebro pode aprender a se reprogramar, uma vez que o sistema auditivo começa a ganhar estimulação neural”, conta ela.   


Ouvir música alta nos fones de ouvido pode causar surdez

 

Verdade. Segundo um estudo, mais de um bilhão de jovens entre 12 e 34 anos estão em risco de perda auditiva pela exposição a frequências sonoras elevadas e, mais do que o volume, a exposição prolongada é um problema sério. Fones não são os únicos vilões: shows e boates também.

 

Outros pontos de atenção

 

É importante lembrar que existem surdos oralizados, ou seja, que por conta do uso do aparelho auditivo ou de não terem nascidos surdos, aprenderam a falar normalmente e mais, eles sabem controlar o seu tom de voz e falar normalmente. Ainda sobre tom de voz, falar gritando com uma pessoa surda não irá adiantar e pode ainda constrangê-lo, em mais um episódio de capacitismo, e ainda dificulta a leitura labial, pois distorce os movimentos da sua boca.  Não caia em mitos e não espere o tempo ou falsos diagnósticos atrasarem seu tratamento. Há diversos caminhos possíveis para esse tipo de problema atualmente, mas é preciso conversar com um especialista no assunto, e não com clínicos generalistas. O quanto antes você “sair do armário da surdez”, como brinca a protagonista do último episódio da décima temporada, melhor para você e para sua qualidade de vida. 

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