Com tempo para amar

Assisti uma série cujo enredo abordava, em sua conclusão, o amor na maturidade

27 de Outubro de 2023


Assisti uma série cujo enredo abordava, em sua conclusão, o amor na maturidade. Logo em seguida, li um livro que, de forma sutil, também pincelou sobre o assunto. E que assunto! Tabu para muitos, o amor nessa fase da vida pode ser visto sob as mais diferentes óticas, mas todas elas dirão mais sobre quem está enxergando do que sobre quem está se amando.  

Se para alguns, apaixonar-se em idade avançada pode ser visto com receios, para outros, pode ser visto como um recomeço. Um novo fôlego, uma retomada, um horizonte de mil oportunidades. Para os que perderam outros amores, uma nova chance de se redescobrir, tão linda e cheia de possibilidades. As pesquisas não mentem: estamos vivendo mais. Nossa pergunta deve ser: o que faremos com todo esse tempo que ganhamos? 

Preenchê-lo de amor não me parece uma má opção. O mais nobre dos sentimentos não deveria ter prazo de validade. Não deveria ter, na realidade, nenhuma entrave mundana, pautada em preconceitos ou ideologias pessoais. Amar deveria ser sempre um verbo no imperativo, que existe e não somente resiste. Mais ainda, amar depois de trilhar tantos anos de caminhada deveria ser obrigatório.  

Em outubro, celebramos o mês da longevidade e destinamos nossos esforços a pensar sobre esse termo pelas vias científicas ou até mesmo financeiras. Mas esquecemos que a vida é feita do que é subjetivo, preenchida de momentos que não conseguimos metrificar ou transformar em dados. E o amor, afinal, não cabe em nenhuma caixinha. Viva sem temer o mais humano dos sentimentos! 

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Para Inspirar

Nizan Guanaes em "Redescobrindo a religião"

Na décima primeira temporada do Podcast Plenae, ouça o relato de fé e gratidão do publicitário Nizan Guanaes.

10 de Abril de 2023



Leia a transcrição completa do episódio abaixo:

[trilha sonora]

Nizan Guanaes: Eu tenho trabalhado bastante o conceito de gratidão. Uma pessoa competitiva e ambiciosa como eu tem a tendência de ficar só vendo o copo vazio, o que falta. Ao acordar, eu canto uma musiquinha que eu mesmo compus. Os primeiros pensamentos da manhã te dão uma sintonia do dia. A música é assim: “Eu agradeço, meu Deus, por mais este dia de vida, por tanta graça recebida, ó, Deus da minha vida. Eu agradeço, meu Deus, por tudo que me destes ou tirastes. E prometo fazer a minha parte neste dia de vida”.

[trilha sonora]

Geyze Diniz: Após sofrer as consequências de ter se dedicado muito ao trabalho e ao seu sucesso, Nizan Guanaes retomou o rumo da sua vida e voltou a cuidar do seu corpo e da sua alma. Após se reorganizar, Nizan redescobriu sua religiosidade e hoje busca resgatar cada vez mais a sua espiritualidade. Eu sou Geyze Diniz e esse é o Podcast Plenae. Ouça e reconecte-se.

[trilha sonora]

Nizan Guanaes: A minha história é um giro de 360 graus. Ou seja, como alguém dá uma volta completa para retornar a si mesmo. Eu nasci em Salvador, dentro da Bahia barroca, na frente de duas igrejas: a Ordem Terceira e a Nossa Senhora do Carmo. A religião me atraiu desde cedo. Eu sou descendente de libaneses católicos, por parte da minha mãe. A minha avó era muito religiosa. Mas não foi a família que me levou pra igreja. O meu avô, que me influenciava muito mais do que minha avó, era completamente ateu. A minha mãe sempre foi comunista, então ela também nem acreditava em Deus. A espiritualidade é algo da minha natureza. 

[trilha sonora]

Durante a juventude, eu me envolvi ativamente com a igreja católica. Compus mais de 50, 60 músicas religiosas, cantei no coral. Mas depois eu fui mergulhando cada vez mais no trabalho e saí do eixo. Eu perdi minha identidade pra valer depois que eu mudei pra São Paulo, em 1985. Quando a gente muda de cidade, ganha um monte de coisas boas, mas perde outras também, se não cultivar o vínculo com o lugar da origem. E eu não cultivei. Eu me afastei da Bahia, me afastei dos amigos, me afastei de mim. Isso não acontece só com o Nizan. Boa parte das pessoas na vida moderna cai de cabeça no trabalho e larga o resto. Eu alcancei o sucesso profissional muito cedo. Sucesso é um troço maravilhoso e perigoso. O meu me trouxe mais problema dos que eu já tinha. Eu ganhei tudo no Festival Internacional de Publicidade de Cannes. Só que em vez de celebrar a vitória, sofria por antecipação, pensando se ia ganhar de novo na próxima edição. Fui um dos caras mais vencedores nas premiações de publicidade no mundo. A minha agência foi eleita a melhor do planeta em 1997 e de novo em 1998. Só que eu nunca fui feliz em Cannes. Ficava alegrinho, mas não feliz. Odiava Cannes porque eu não tinha inteligência emocional pra aguentar a pressão.

[trilha sonora]

Eu comecei a descarregar a ansiedade na comida, no álcool, no cigarro, no café. 

[trilha sonora]

Precisava tomar remédio pra dormir e obviamente não fazia um pingo de exercício físico. Enquanto eu perseguia o sucesso, eu fui esquecendo do meu corpo, das minhas relações e do meu espírito. Quando você se perde, a casa cai. [trilha sonora] Eu engordei imensamente, de maneira mórbida. O Nizan de 150 quilos era um vendaval de emoções. Uma pessoa mercurial, explosiva. Com pouco autocontrole no garfo e na vida. [trilha sonora] O meu pai morreu de infarto aos 45 anos e eu não podia continuar com aquele peso. Eu fiz uma bariátrica de uma maneira muito atabalhoada, como tudo que eu estava fazendo naquele momento. Tomei a medida certa, da maneira errada, sem o menor planejamento antes, sem os cuidados que eu deveria ter depois, como apoio psicológico, um programa de esporte e acompanhamento de um nutricionista. E aí eu tive um problema muito comum entre as pessoas que fazem essa cirurgia. Eu só não virei alcoólatra, porque eu não gosto de beber. [trilha sonora] Com a bariátrica, o efeito do álcool era elevado à décima potência. No início, é um porrezinho numa festa. Aí depois começa a ser um porre num jantar de negócios na quarta-feira. Um ano depois da operação, aquilo começa a afetar o casamento, a família, a empresa.  Às vezes a gente tem que tomar um chacoalhão pra corrigir a rota. O meu cardiologista, Roberto Kalil, me falou: “Nizan, você tá fumando demais, bebendo demais, comendo demais, trabalhando demais. Com o seu histórico familiar, isso não vai dar certo. Você vai morrer”. Foi ele que me apresentou pro Arthur Guerra, psiquiatra que me ajudou a mudar o estilo de vida. [trilha sonora]

Quando conheci o Arthur, ele me disse na lata uma frase demolidora: “Nizan, você é tão bem sucedido e tem uma vida tão pobre”. Durante muitos anos, eu vesti o personagem do sucesso e o que é pior: acreditei demais nele. Era um sujeito arrogante, de coração bom, mas desagradável. O Arthur me ajudou a desconstruir essa criatura que eu inventei. Me ajudou a perceber que eu tinha deixado de ser uma pessoa física pra me tornar uma pessoa jurídica.  O Arthur tem uma abordagem holística, muito parecida com os pilares do Plenae. Ele transformou a minha rotina me entupindo de esportes e tirando os remédios que eu tomava. Com ele, eu converso sobre o corpo. E com uma analista da clínica dele, sobre a alma. O esporte cuida muito bem do corpo. O corpo cuida muito bem da alma. É um ciclo. O Arthur me botou pra fazer triatlo e maratona. Ele me fez descobrir um mundo que acorda às 5h da manhã e dorme, exausto e feliz, às 10h da noite. Como diz o maravilhoso escritor japonês Haruki Murakami, que é também maratonista, toda alma doente precisa de um corpo são. Com a psicanálise e a psiquiatria, eu fui me organizando, juntando meus pedaços e abrindo espaço para resgatar a minha religiosidade. Aos poucos, fui voltando a ser uma pessoa mais próxima do Nizan que nasceu em Salvador. [trilha sonora] Por ser baiano, eu tenho uma ligação com o candomblé, que não é uma religião, é um culto à natureza.  [trilha sonora] Se você perguntasse à Mãe Menininha do Gantois qual era a religião dela, ela ia dizer católica. Essa mistura faz parte da Bahia. Não é muito racional, mas eu gosto dela. Eu sou filho de Xangô, um orixá gordo, festeiro, que gosta de dançar, que é mais estourado e compra brigas. Hoje eu sou um Xangô domado. [trilha sonora] As pessoas têm muito preconceito com o candomblé, por ser o culto de uma raça, entre aspas, vencida. Mas ele é belo, ele é ecológico, ele é diverso. Ele aceita todo mundo. Nesse sentido, o candomblé sempre foi muito mais avançado que a própria igreja católica. Não a igreja que Jesus construiu. A igreja de Jesus aceitava cobrador de imposto, Maria Madalena, e era aberta a qualquer um. Eu faço vários questionamentos à igreja. Não ao cerne dela, a Jesus, ao evangelho e à Bíblia, mas à maneira como a instituição se comunica. Eu tenho muito orgulho da minha ligação com o terreiro do Gantois, embora hoje o que me guia seja a religião católica. Nós vivemos num mundo negativamente fluido. Uma sociedade onde todo mundo é tudo. Quem diz que segue todas as religiões, na realidade, não segue nenhuma.  [trilha sonora] Eu cuido cada vez mais do meu lado espiritual, mas ainda menos do que preciso. Voltei a frequentar a missa, voltei a rezar, voltei a ler a Bíblia. Sou um católico que estuda como um evangélico. Porque tem católico que não vai à missa, não lê nada. É como um corintiano que não sabe o hino do Corinthians, nem acompanha os jogos do time. Esse ano, eu me fiz uma promessa de frequentar a missa duas vezes por semana. A cerimônia me organiza internamente. Assim como o exercício, a alimentação, o trabalho e o sono, a espiritualidade entrou na minha rotina. Eu sou de uma geração que desprezava a rotina, só que a rotina liberta. Nessa minha redescoberta da religião, eu aprendi que a Bíblia não é só um texto. Ela é uma palavra viva. Você lê uma passagem num dia e ela não te diz nada. De repente, você lê o mesmo trecho em outro dia e… abracadabra! Parece que a cabeça se expande. A Bíblia é quase um metaverso.  Nessas leituras, eu me identifico muito com o apóstolo Pedro, porque tem horas que eu nego três vezes. Eu tenho crises de acreditar se Jesus é de fato Deus. Embora, quanto mais eu leio a Bíblia, mais eu acredito nela e Nele. Se o texto é mentiroso, a mentira foi orquestrada no detalhe.  Às vezes, eu abro a minha Bíblia aleatoriamente. Recentemente, em três dias consecutivos apareceu uma passagem de quando Jesus entrou em Jerusalém. Ele fala assim pros discípulos: “Vocês vão encontrar um jumentinho na entrada de Jerusalém. Soltem o jumentinho e tragam aqui pra mim. Se alguém perguntar por que vocês estão fazendo isso, respondam que o Senhor precisa dele e em breve devolverá”. Os discípulos vão e acontece exatamente o que Jesus falou. Aí eu fico pensando o seguinte: “É muito, muito, muito detalhe pra ser mentira”. São quatro evangelistas contando as mesmas histórias por ângulos diferentes. Toda equipe de cinema tem um profissional chamado continuísta, a pessoa responsável pela coerência da narrativa. Os caras que escreveram a Bíblia deviam trabalhar com o Spielberg, porque tem muita continuidade. Tudo tem nexo. [trilha sonora] Com essa minha busca por Deus, eu não pretendo ser o que eu não sou. Não vou me transformar em Dalai Lama. Eu não quero virar nuvem. Eu continuo gostando de dinheiro, continuo gostando de trabalhar e me desafiar. Eu só quero ser uma pessoa melhor. [trilha sonora] O Dalai Lama, a propósito, diz em um livro que 20% das pessoas já nascem felizes, com o sol na cabeça. A Donata, minha mulher, é uma delas. Ela é equilibrada, moderada de fábrica. Nós, que fazemos parte dos outros 80%, só seremos felizes por mérito, correndo atrás. Eu fui um gordinho feliz na infância, já prenunciando um neurótico na adolescência e, depois, completamente desfocado e descuidado na vida adulta.

Com a ajuda do Arthur Guerra e de sua equipe, e com obstinação, disciplina e mérito meu, hoje eu desfruto mais da vida. Foram as minhas pernas que me levaram ao consultório do Arthur e foi o meu arbítrio de seguir suas recomendações pra valer, meu arbítrio.

É preciso ter disciplina pra vencer todo dia a si mesmo. A felicidade é uma conquista diária. Ela é feita de estabelecer prioridades, tem método e inclui dizer não. Portanto, bom dia, boa tarde, boa noite e boa vida. Todo santo dia. E aí, deixo aqui uma pergunta: na sua agenda sobra tempo pra ser feliz? [trilha sonora] Geyze Diniz: Nossas histórias não acabam por aqui. Confira mais dos nossos conteúdos em plenae.com e em nosso perfil no Instagram @portalplenae. [trilha sonora]

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