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Jovens são menos religiosos do que os mais velhos, diz estudo

No Brasil, 70% dos indivíduos com até 40 anos e 75% daqueles acima dessa idade consideram a religião muito importante em suas vidas

11 de Novembro de 2019


Os adultos mais jovens têm menos probabilidade do que os idosos de frequentar a igreja e acreditar em Deus. Esse é o cenário de 46 entre 106 países pesquisados pelo instituto Pew Research Center. Nesses lugares, entre eles o Brasil, os adultos com menos de 40 anos têm menos probabilidade de dizer que a religião é muito importante em suas vidas do que os adultos mais velhos; o oposto é verdadeiro em apenas duas nações.

Em 58 países, não há diferenças de idade significativas nessa questão. No Brasil, 76% dos entrevistados com mais de 40 anos disseram que a religião é “muito importante” para suas vidas, ante 70% daqueles abaixo dessa idade. O dado brasileiro é acima da média global (57% dos mais velhos e 51% dos mais jovens consideram o tema muito importante).

Outras medidas de compromisso religioso também mostram uma diferença de idade em muitas nações. Os entrevistados mais jovens têm menos probabilidade de se identificar com qualquer religião em 41 países; novamente, o oposto é verdadeiro em apenas dois países. Padrões semelhantes surgem ao examinar as taxas de oração diária e de participação nos cultos.

Estudos sugeriram explicações diferentes, mas possivelmente sobrepostas, para a diferença de idade no culto à religião. Uma teoria é que as pessoas naturalmente se tornam mais religiosas à medida que envelhecem e se aproximam de sua própria mortalidade. Outra é que as sociedades se tornam menos religiosas quando as condições econômicas melhoram e as pessoas enfrentam menos problemas de indução de ansiedade ou risco de vida.

Como os jovens de sociedades em constante desenvolvimento geralmente têm uma vida mais fácil do que os mais velhos, segundo essa teoria, eles são menos religiosos. No entanto, seria um erro supor que o mundo em geral está se tornando menos religioso só porque os jovens são menos devotos. De fato, muitos dos países menos religiosos do mundo têm populações que estão encolhendo ou crescendo apenas lentamente, enquanto as regiões com maior crescimento populacional tendem a ser muito religiosas.

Por exemplo, a África Subsaariana - que tem o crescimento populacional mais rápido do mundo - também tem a menor diferença de idade quanto à importância da religião e tem uma alta taxa de comprometimento religioso em geral. No país médio da região, 88% dos adultos mais jovens e 89% dos idosos dizem que a religião é muito importante em suas vidas.

Fonte: Stephanie Kramer e Dalia Fahmy, para Pew Research Center
Síntese: Equipe Plenae
Leia o artigo original aqui

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Desmistificando conceitos: qual a diferença entre candomblé e umbanda?

É hora de mergulhar no tema, deixando de lado misticismo, tabus e fake news. Qual a diferença entre as duas religiões afinal?

2 de Março de 2023


Sem rodeios, começaremos esse artigo hoje com uma pergunta: você já ouviu falar em intolerância religiosa? O termo, recentemente levantado em um reality show de grande alcance aqui no Brasil, é considerada uma forma de violência de caráter físico ou simbólico, como explica esse artigo do Jornal da USP.

Trata-se de um ato de discriminação, ofensa e agressão às pessoas por causa de sua crença e prática religiosa. Aqui no nosso país, o ato é considerado crime previsto em lei, de acordo com o Código Penal brasileiro, Decreto-Lei número 2.848, dos crimes contra o sentimento religioso.

Para o Plenae, toda manifestação de fé importa, já que o Espírito é um dos seis pilares que sustentam nosso discurso. Tanto é que já convidamos em nosso podcast não só personagens de diferentes religiões, mas também que tivessem esse mesmo discurso de abraçar a crença alheia, independente de qual seja ela.

É o caso de Fafá de Belém, Ale Edelstein, Fernanda Souza, Paulo Vicelli e até mesmo o monge Satyanatha. E por que estamos falando sobre esse assunto? Explicamos: duas das religiões mais afetadas por essa intolerância religiosa, que vale dizer, é sempre bastante carregada de desinformação, são o candomblé e o umbandismo. 

Mas qual é a diferença entre as duas, que são frequentemente confundidas? É o que vamos entender a seguir!

Por dentro do candomblé

Diretamente da África, mais especificamente da região onde hoje encontra-se os países Nigéria e Benin, como explica o Museu Afro, o candomblé é mais antigo e vem de fora do Brasil - essas já são as duas principais características que o diferenciam do umbandismo. Mas não é só isso. 

O termo candomblé, como explica este artigo, vem da junção das palavras quimbundo candombe (dança com atabaques) + iorubá ilê (casa), que significa casa da dança com atabaques. Decorrida do animismo africano - que é a crença de que entidades não humanas possuem uma essência espiritual - a religião tem por base a alma da Natureza. Em resumo, para seus seguidores, os animais e plantas possuem espiritualidade.

Essa corrente cultua orixás, que são suas entidades e tem idioma, danças e rituais próprios. Atualmente há cerca de 3 milhões de adeptos em todo o mundo, tanto na América quanto na Europa, mas a maior parte deles está justamente aqui, no Brasil. 

Os rituais candomblecistas são realizados em terreiros, que são casas onde os sacerdotes e adeptos se reúnem e encenam uma convivência com forças da natureza e ancestrais. Eles reúnem centenas de pessoas e podem durar horas, no mínimo duas.

Sobre esses rituais, eles podem ser tanto matriarcal – quando somente as mães de santo assumem a liderança (as bablorixá). Ou patriarcal - quando a liderança é assumida apenas por homens, os chamados pais de santo (ou yalorixá). Há ainda a mista, que é quando a liderança do terreiro pode ser assumida tanto por homens quanto por mulheres. 

Eles sempre se iniciam com o despacho do Exu, em ritmo de dança, ao som de batidas de tambores, com oferendas de vegetais, minerais e sacrifício de alguns animais.  Além de homenagear as forças naturais, o candomblé também busca trabalhar questões terrenas.


As danças, roupas e oferendas são também homenagens, mas essas aos orixás. Para os candomblecistas, os orixás são deuses supremos de personalidade e habilidades distintas que possuem preferências ritualísticas e escolhem em quem incorporar. Cada um deles tem um dia específico, roupas com cores específicas e alimentos próprios. É necessário que tudo esteja purificado e à altura do orixá, por isso a higiene, a alimentação e os trajes devem ser adequados - como segue explicando o artigo

Apesar de cultuarem essas entidades múltiplas, o candomblé é uma religião monteísta, pois cada uma de suas três nações cultua um só deus. A nação Ketu cultua Olorum, a nação Bantu, NZambi e a nação Jeje cultua Mawu. Eles ainda acreditam na vida após a morte e na predestinação.

Por fim, o candomblé tem outros nomes ao redor do país. Em Recife, por exemplo, a religião é conhecida como Xangô, mas no Rio de Janeiro recebe o nome de Macumba. No entanto, o termo Macumba tem sido rejeitado pelos seguidores do candomblé por ter uma conotação pejorativa.

Mergulhando na umbanda

Nascida aqui, em terras tupiniquins, a umbanda tem Niterói, no Rio de Janeiro, como seu berço, segundo esse artigo. Ela é jovem e tem um pouco mais do que um século de existência, pois nasceu em 1908, fundada por Zélio Fernandino de Moraes, como conta esse artigo.

Ela é uma mistura de um tanto de coisas, do jeito que a miscigenação brasileira gosta. Elementos espíritas e bantos (uma etnia africana), influências indígenas, católicas, cabalísticas, mescla de português com kimbundo e tupi-guarani: tudo isso é parte da identidade dessa religião que é tão multicultural. E, como não poderia faltar, há influência do candomblé também - e talvez por isso a confusão de muitos. 

Isso porque na umbanda, os orixás também são cultuados, mas além deles há os guias, que ajudam no contato com espíritos desencarnados. São eles: pretos velhos, pombagiras, caboclos, marinheiros, etc. Ela ainda baseia-se em três 3 conceitos fundamentais: Luz, Caridade e Amor. No vocabulário quimbundo, de Angola, umbanda significa “a arte de curar”. 

Para alguns estudiosos, a umbanda seria uma espécie de candomblé sem sacrifícios de animais, um fator que aproximaria a religião da população branca e urbana do começo do século XX. O kardecismo, que é uma corrente espírita, também serviu de inspiração com alguns conceitos, como o de “evolução” e “reencarnação”.

O catolicismo também entra na jogada, já que Jesus é a referência espiritual e é possível encontrar sua imagem em lugar destacado nos altares das casas ou de terreiros de umbanda, também conhecidos como barracão. Nesses locais, são feitas várias celebrações ao ar livre, junto à natureza, em rios, cachoeiras ou na praia.

Novamente, mais uma semelhança com o candomblé: essas cerimônias são presididas por um “pai” ou “mãe”. Aqui nesse caso, trata-se de um sacerdote que comanda os ritos e a casa, além de ensinar a doutrina e os segredos da umbanda aos seus discípulos. Nessas cerimônias, os tradicionais “passes” são concedidos aos fiéis que buscam reorganizar seus campos energéticos. Há também as sessões de descarrego, que buscam aliviar as possíveis energias negativas captadas no ambiente ou em algum indivíduo. As cores brancas são as mais usadas e casamentos ou batizados também são celebrados. Os orixás encontrados na Umbanda são: Oxalá, Xangô, Iemanjá, Ogum e Oxossi, Oxum, Iansã, Omulú e Nanã. Já as principais entidades são Caboclos, Pretos velhos, Baianos, Marinheiros/Marujos, Erês, Malandros, Pomba-gira, Ciganos, entre outros. 

A umbanda também é uma religião monoteísta, onde existe o conceito de um Deus supremo, o “Olorum” ou “Oxalá”. Seus seguidores acreditam na imortalidade da alma, na reencarnação, nas leis kármicas e, como já dito anteriormente, nos orixás, que são personificações de elementos da natureza e de energia, e nos guias espirituais, que podem se incorporar durante certas cerimônias e vir à Terra para ajudar as pessoas que necessitam.

Um pouco de tudo

Agora que você já mergulhou nesses conceitos, percebe que não há nada que ambas as crenças preguem se não o amor e as diferentes formas de crer naquilo que não se vê. Como qualquer religião, a manifestação da fé é uma busca pelo divino que habita em cada um de nós, mas se manifesta de formas diferentes. 

Abrace todas essas possibilidades de espiritualização, pois todas elas são válidas e agregam de alguma forma. Quando não houver identificação, que haja então o respeito e a tolerância pelo que é diferente. Seja luz!

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