Fazer o bem faz muito bem!

Você sabia que o trabalho voluntário pode ser uma incrível fonte da juventude?

18 de Agosto de 2022


Fazer o bem faz muito bem!
O que você vai encontrar por aqui: 
  • Os benefícios do voluntariado para a saúde
  • Qual é o “barato do voluntário”
  • Os riscos do “volunturismo”
  • Princípios do voluntário
  • Quais características do voluntariado trazem os maiores benefícios
Boa leitura! 
Você sabia que o trabalho voluntário pode ser uma incrível fonte da juventude? Hoje, há uma quantidade significativa de estudos e dados que mostram que pessoas que se envolvem em trabalhos voluntários de forma regular e totalmente altruísta, experimentam uma série de benefícios para a saúde física e mental, promovendo bem-estar e longevidade. Inclusive, já se sabe que o voluntário recebe mais benefícios do que as pessoas a quem ele está ajudando. 

Não são poucos os relatos de pessoas que afirmam que o voluntariado mudou completamente sua vida. Da superação de traumas, passando pela recuperação da saúde e o encontro com seu propósito de vida, parece que nosso cérebro está projetado para responder de forma positiva a essa atividade, gerando saúde e felicidade toda vez que servimos ao outro. 
A ciência tem conseguido revelar os mecanismos biológicos desencadeados durante atos de generosidade e seus impactos positivos na saúde dos doadores. Um termo que tem se tornado conhecido é o helper´s high, ou “barato do voluntário”, utilizado para descrever as sensações de alegria e bem-estar que surgem em muitas pessoas durante estes eventos. Ainda, estudos mostram como e quais características do trabalho voluntário trazem os maiores benefícios. 

Assim, acreditamos que vale a pena entender um pouco melhor sobre como o voluntariado pode ser uma ferramenta maravilhosa não só para te trazer muito bem-estar na vida, mas também para transformar a realidade ao seu redor.  Afinal, gentileza gera gentileza, e quando doamos nosso melhor ao outro, toda a sociedade é afetada, criando um círculo virtuoso de felicidade e qualidade de vida para todos.  
Fundo no assunto
Ajudando o outro eu estou me ajudando


Não é novidade para ninguém que comportamentos altruístas fazem bem. Ainda assim, pensar em nos voluntariar em um asilo ou em um abrigo para moradores de rua nem sempre desperta motivação suficiente para nos envolver com esse tipo de atividade. Seja por algum tipo de preconceito, por medo ou simplesmente por estarmos muito ocupados, dedicar horas de lazer prestando um serviço gratuito é a última coisa que passa pela cabeça de muita gente. De fato, a maioria dos voluntários acabam se envolvendo com essas atividades de forma acidental ou por um certo sentimento de obrigação. 

Porém, novos estudos em neurociência relacionando o ato de ajudar o próximo com benefícios quantificáveis para a saúde abrem um novo capítulo em nosso entendimento sobre como nossos comportamentos, pensamentos e emoções impactam nosso bem-estar. Eric Cooper, presidente e CEO do Banco de Alimentos de Santo Antonio nos Estados Unidos, em seu Ted Talks, relata um estudo feito com pessoas idosas que se voluntariaram para orientar jovens, mostrando um aumento na produção de histamina, melhoras na memória, na flexibilidade e a redução de níveis de depressão nessas pessoas. Outro estudo no Canadá mostrou que adolescentes que se envolveram com trabalho voluntário após a escola perderam peso, reduziram níveis de colesterol e tiveram marcadores inflamatórios mais baixos. 


Allan Luks , um dos maiores pesquisadores no assunto e autor do livro The Healing Power of Doing Good (“O poder curativo de fazer o bem”, sem tradução para o português), conduziu uma série de estudos na Universidade de Michigan com mais de três mil voluntários para entender como o voluntariado afeta a saúde física e emocional daqueles que ajudam e quais características eram necessárias para que esse serviço de doação tivesse seus efeitos curativos otimizados. Sua pesquisa mostrou que no processo de ajudar o outro, sem a preocupação com o resultado, ocorrem dois fenômenos bem específicos e identificáveis que impactam a saúde dos participantes. 


Muitos são os relatos de pessoas que, ao se envolverem em ações solidárias, sentem um aumento significativo de energia no corpo, acompanhado de sentimentos de prazer, contentamento e alegria. Este fenômeno é hoje conhecido como h
elper´s high, ou o “barato do voluntário” em tradução livre para o português, em que o corpo responde ao ato de generosidade liberando quantidades significativas de endorfina, um conhecido neuro-hormônio que atua como um analgésico natural e aumenta a sensação de bem-estar. Ainda, há a liberação de oxitocina, dopamina e serotonina, hormônios conhecidos por melhorar o humor e diminuir o cortisol no sangue.  

Este conceito surgiu em 1980 e tem sido comprovado pela ciência desde então. Segundo os estudos de Luks, 95% dos participantes relataram já ter experimentado esse estado no corpo, que muitos descrevem como um calor corporal, outros como um aumento na disposição física, e alguns como uma euforia parecida com o uso de certos alteradores de consciência, por isso o uso da palavra high, que pode ser traduzido como “chapado”. A maioria, no entanto, compara esta sensação com aquela sentida após a prática vigorosa de atividades físicas, conhecida como runner 's high.


Após a sensação de energia extra causada pelo helper’s high, o que a maioria dos voluntários relata é um duradouro estado de calma e serenidade. Oito em cada dez voluntários que participaram das pesquisas de Luks relataram também sentimentos de otimismo, aumento da autoestima e felicidade nesta fase, que normalmente duram dias e até semanas e podem ressurgir com a mera lembrança do ato generoso.

Enquanto a primeira fase é comparada com a energia sentida após a prática de atividades físicas intensas, a segunda tem sido comparada com estados meditativos. A chave está no fato de que tanto a meditação quanto o ato de ajudar o próximo faz você direcionar sua atenção para fora de si mesmo. O foco no outro reduz as tensões produzidas por padrões de pensamentos negativos, diminui a atividade do sistema nervoso simpático e, por consequência, diminui o estresse. 


Tudo isso pode ser explicado por uma rede neural que Tristen Inagaki, neurocientista da Universidade de São Diego, na Califórnia, chama de sistema do cuidado. Essa rede está ligada tanto a comportamentos de ajuda ao próximo quanto à nossa saúde e provavelmente evoluiu para facilitar a criação de nossos bebês, altamente indefesos para os padrões de outros mamíferos, e aumentar nossa sobrevivência ao recompensar bioquimicamente atitudes em prol da cooperação e da socialização. 

             

Estudos utilizando ressonância magnética em momentos de trabalho voluntário identificaram que nosso “centro de recompensa” cerebral é ativado na mesma medida e intensidade que momentos de atividades prazerosas como ouvir música, praticar sexo, comer uma comida gostosa ou até receber um elogio, como explicamos nesta matéria. Esse é um dos motivos que faz com que muitos voluntários sintam motivação para retornar a praticar atos de generosidade ao próximo e, à medida que tornam o voluntariado uma atividade frequente, percebem sua saúde e seu bem-estar aumentar significativamente. 

O sentimento de propósito que o trabalho voluntário pode proporcionar é uma outra fonte de motivação imensa, que pode, inclusive, redirecionar a vida de muitos voluntários. Este é o caso da Gabriela Shapazian, ativista e co-fundadora do projeto “Flores para Refugiados”, que participou da quarta temporada do Podcast Plenae e nos contou como sua vida se transformou após trabalhar como voluntária na Grécia, com refugiados do Oriente Médio, aos 16 anos de idade. É também a história de Kalil Mondadori que relatou, no Tedx Lages, como organizar um Natal Solidário em bairros periféricos de sua cidade orientou toda sua carreira profissional. 


O que os estudos feitos por Allan Luks concluíram é que os dois estágios pelo qual a pessoa passa ao longo do trabalho voluntário ativa um efeito em cadeia na saúde física, emocional e psicológica da pessoa. Nove a cada dez voluntários que participaram da pesquisa consideram que sua saúde é melhor do que a de outras pessoas da sua idade, sentindo que essa melhoria se deu após iniciarem seus trabalhos voluntários. Hoje, muitos estudos mostram que aumentar a percepção de bem-estar subjetivo nas pessoas cria, de fato, melhorias na sua saúde física, como comentamos nesta matéria

Dentre os principais impactos na saúde Luks destaca: 
  • O fortalecimento do sistema imune;
  • A diminuição tanto da intensidade quanto da consciência da dor física; 
  • Surgimento de emoções vitais para a manutenção da boa saúde;
  • Redução de comportamentos e emoções negativas que prejudicam o corpo;
  • Multiplicidade de benefícios corporais causados pela redução do estresse.
            
O que dizem por aí
Cuidado com o volunturismo


Volunturismo é um termo recente utilizado para descrever uma nova modalidade de viagem que mescla passeios turísticos com um momento de voluntariado em alguma instituição ou comunidade carente no percurso. Tem atraído especialmente os jovens em busca de uma “experiência diferente” e agências usam slogans como “faça a diferença”, “viaje com propósito”, para vender seus pacotes de viagem. 


        

A busca por esta nova forma de fazer turismo já movimenta muitos milhões de pessoas, bilhões de reais e cresce substancialmente. Apesar de parecer uma resposta ao turismo visto como puramente egoísta e consumista, as críticas ao volunturismo são bem fortes e os impactos nas comunidades nem sempre são positivos. 

Os orfanatos são um dos destinos mais comuns e um estudo realizado no Haiti pela Lumos, uma organização sem fins lucrativos que luta pela desinstitucionalização das crianças, mostra como o volunturismo se tornou um negócio lucrativo e acaba não só sustentando este sistema altamente prejudicial para o desenvolvimento das crianças, como estimula a criação de mais orfanatos para movimentar o turismo na região. 

Segundo uma reportagem no The Guardian, após 40 anos desde o genocídio cambojano, o número de orfanatos no país segue crescendo. A razão está na demanda, mas não de crianças abandonadas, mas do enorme aumento de turistas australianos dispostos a pagar para trabalhar nesses orfanatos por uma ou duas semanas. 

Muitas organizações também oferecem a oportunidade de cavar poços, construir escolas ou outros projetos desta natureza em vilarejos pobres. O problema é que os voluntários acabam tirando o trabalho das pessoas locais e a razão para que as organizações atuem dessa forma é simples: se uma instituição contrata moradores para construir uma escola, está gastando dinheiro, usando voluntários que pagam para estar lá, estão arrecadando dinheiro. 

Além disso, é preciso ter cautela ao chegar em uma cultura diferente da sua para não trazer, ainda que sem querer, a imposição das suas crenças nesses locais, sejam elas de religião a hábitos alimentares. Se for viajar para fazer voluntariado, lembre-se que você chegará em um lugar que possui suas próprias características e personalidade, e não tente enxergá-las como erradas quando comparadas às suas. 


                  

Para que o trabalho voluntário se torne realmente uma experiência extremamente recompensadora, é preciso que seja puro em sua intenção. A motivação pessoal precisa estar de mãos dadas à empatia e ao altruísmo e estar livre de culpa, vaidade, fantasia e preconceito. 

Segundo Bidisha Mamata, jornalista e ativista internacional de direitos humanos que atua com detentos no Reino Unido, muitas pessoas chegam para se voluntariar pelo frisson de poder contar aos demais seus atos heróicos, impulsionar seu currículo, se sentir especial, entre outras motivações um tanto duvidosas. Ela levantou alguns princípios que toda pessoa que deseja ser voluntária deve ter em mente: 
  • Pesquise diferentes tipos de trabalho voluntário e escolha aquele que te emocione e te motive;
  • Escolha uma iniciativa, seja ela grande ou pequena, cujo serviços são claros e a localização seja adequada para você;
  • Ofereça habilidades que você já possua, não dê mais trabalho para as pessoas dizendo que você pode fazer “qualquer coisa”;
  • Seja guiado por sua formação e experiência profissional, ao invés de quaisquer noções românticas ou visões santas de si mesmo;
  • Seja tão profissional quanto você seria em seu "trabalho real" em termos de tempo, consistência, comportamento e responsabilidade;
  • E, finalmente, “se você é um excelente cozinheiro, então os serviços comunitários locais vão te amar para sempre. Você pode estar dando às pessoas sua única refeição apropriada do dia e não há lugar melhor do que uma cozinha para fomentar a cooperação, o convívio e a comunidade”.
100% do bem

                   

Não são apenas os trabalhos voluntários formais que produzem benefícios claros e quantificáveis para a saúde. Atos aleatórios de bondade também. Um estudo na Califórnia mostrou que pequenos gestos, como comprar café para um estranho, por exemplo, reduzem a atividade dos genes leucocitários relacionados à inflamação. Gastar dinheiro com os demais também produz efeitos positivos, reduzindo a pressão arterial e aumentando níveis de felicidade, como explicamos neste tema da vez

Mas se você quiser de fato receber os maiores benefícios para a saúde a partir da doação de seu tempo, deixamos aqui 5 características, definidas por Allan Luks, que potencializam estes resultados:


Conectar-se com a pessoa que você está ajudando e passar tempo com ela geralmente produz mais impacto positivo, incluindo o fenômeno do “barato do voluntário”, que serviços impessoais como arrecadar comida ou roupa para as pessoas pobres. 


Não deve surpreender o fato de que quanto mais a pessoa ajuda, mais benefícios ela recebe. Ainda assim, estudos mostram que existe um mínimo e um máximo de tempo que uma pessoa deve se dedicar ao voluntariado. Os estudos de Luks mostram que o tempo ideal deve ser em torno de duas horas semanais. 


Ainda que dar suporte a amigos e familiares seja importante e produza bons sentimentos, estudos mostram que ajudar estranhos têm maior potencial de gerar o fenômeno do “barato do voluntário”. 


Ter algo em comum com a pessoa que está sendo ajudada aumenta a conexão e a empatia. Este é outro fator que facilita o surgimento do helper’s high. 


Ser bom no serviço que está oferecendo é importante para se sentir realmente útil e despertar sentimentos de confiança, conquista, autocontrole e motivação para seguir em frente.  
Quer saber mais? Separamos alguns conteúdos que podem te ajudar
a fazer um mergulho ainda mais profundo, não deixe de conferir!

Podcast: Flores para refugiados - Podcast Plenae



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